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Excuse me to speak in Portuguese:

Para meus queridos falantes do inglês como segunda língua (ou língua estrangeiras) e os que ainda não se decidiram se podem, conseguem ou precisam de aprender tal, vai um texto interessantissimo de MICHAEL JACOBS,quenasceu em Londres e veio para o Brasil em 1967 aos vinte e dois anos. Engenheiro, atuou em várias multinacionais até 1989 quando começou a lecionar inglês e fazer traduções para a língua inglesa. (mais do autor aqui)

See ya ALL!
ThiEdu
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Gramática: Masculino e Feminino

por Michael Jacobs

Why English is simpler than Portuguese? – Part I – Masculine and Feminine

Vamos falar de pessoas, no masculino e na feminina… (Sei, sei! Não é feminina, é feminino, adjetivo masculino para “mulheres”. Muito bom, hein!) Pois bem, imagine a seguinte situação: Eu e um colega acabamos de ver dois homens conversarem animadamente e vamos comentar esse fato “extraordinário” com outra pessoa. O meu amigo relata: “Michael e eu vimos duas pessoas conversarem. Elas estavam conversando animadas”. Mas eu sei que eram (foram?) dois homens; portanto, a minha tendência será dizer: “Vi duas pessoas conversarem. Eles estavam conversando animadamente”. Errado, Michael! Eram pessoas, duas pessoas. Assim, o correto é (a minha verificação ortográfica está querendo que eu escreva “são elas”, mas não é isso que quero dizer – você me entende?) elas. Não obstante o que você queira, as regras do português não vão se curvar às suas vontades.

Outro dia, quase escrevi “uma mapa”. A tentação foi (ou era?) grande, mas me contive a tempo. (Ou é “em tempo”? Em inglês, é in time.)

Uma das primeiras regras que aprendemos a respeito do português é que os substantivos são masculinos ou femininos. Depois de passada a surpresa ou choque inicial, nós nos conformamos (“conformamos-nos?”) com essa realidade cruel. Em português, há sexo em todas as coisas. (Quisera eu ter tanto!) “Mesa” é mulher! “Piso” é homem! E ai de nós, curiosos e curiosas, se perguntamos por que é assim. Para nós, simples falantes de inglês, questões de sexo são reservadas às coisas obviamente masculinas (eu, por exemplo) e femininas (Julia Roberts e Cameron Diaz). Os pronomes she e he, os possessivos hers e his, os objetos her e him e… acabou-se. Em inglês, nós nos referimos ao sexo dos homens, das mulheres, dos gatos, cachorros e outros bichos do reino animal e pronto: esgotaram-se aí as questões masculinas e femininas. Mas, com o português, não: a questão está (estar?) apenas começando.

Bom, a duras penas, mas com muita (muito?) boa vontade, aprendemos e aceitamos que as coisas têm gênero. Uma das primeiras coisas que aprendemos é que as palavras que terminam com “o” são masculinas e que as que terminam com “a” são femininas. Mas aí vem alguém e diz: “Bom dia”. Como assim? Não deveria ser “Boa dia” ou “Bom dio”? Mas, como ia dizendo, aprendemos que os adjetivos em português vêm após o substantivo (mas, é claro, nem sempre), ao passo que em inglês vêm antes. Sim, posso arriscar: sempre. Em português, além de engolir esse fato, precisamos aprender a lidar com as exceções. É “bom dia” mesmo (mas tivemos um dia bom no trabalho hoje), e não é “minha guarda-roupa”, mas “meu guarda-roupa”. Porque “guarda-roupa” é substantivo masculino. E “dia”, quem diria, também.

Eu me lembrei de um diálogo engraçado que, volta e meia, tenho com os meus filhos, em casa.

Filho(a): “Pai, cadê a minha camiseta?”
Eu: “Estar na minha guarda-roupa”.
Correção do filho(a): “Na minha não, no meu”.
Eu: “Na seu não, na minha”.

Juro que esse tipo de diálogo é comum. Posso perguntar, ou pelo menos perguntava quando tinha mais cabelo (por que não cabelos, se em inglês hairs significa “fios” de cabelo?): “Alguém viu minha pente?” Posso dizer “Recebi uma telefonema de fulano”? Não só posso, como de fato faço (faço-o?; o faço?; faço o?) com freqüência, e não me sinto constrangido em (ou ao?) admitir isso. Desculpe-me, mas, apesar de tanto tempo aqui, ainda sou bem capaz de errar o sexo dos artigos e dos substantivos. Para mim, não há lógica atrás da escolha. Afinal, não aprendi naturalmente quando era criança; não foi algo que aprendi no colo da minha mãe. (Mas nem tudo está perdido: ela me ajudou bastante com o inglês.)

Há várias maneiras de aprender e decorar as coisas. Tive dificuldade de lembrar a diferença entre um lenço e um lençol, por exemplo, até que um colega de trabalho me fez perceber que eu não dormia num lenço, nem usava lençol para secar as mãos, e aí ele me disse: “Michael, é fácil. É só lembrar que um lenço tem cinco letras e um lençol – que é maior – tem seis”. Nunca mais esqueci.

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